top of page
Buscar

Repetição. - Série: Escuta clínica.

  • Foto do escritor: Carolina Carol
    Carolina Carol
  • 16 de ago.
  • 2 min de leitura



Em um momento da sessão de análise escuto: “Ah, mas vou ter que falar deste assunto de novo! Me sinto incomodada em trazer isso tantas vezes aqui”.


O que vou fazer com isso? É uma boa pergunta, que ecoa em toda sua corporeidade, e trago esse termo aqui iluminado pela dimensão da experiência humana: de viver o corpo com seus sentidos, impulsos, desejos e de como apreendemos e absorvemos estas experiências, cultivamos nossa própria substância com suas cores, formatos e nuances.


Como a vida me atravessou? Nem tudo conseguimos nomear, algo sempre escapa. Então, alguma coisa lá dentro nos dá uma pista a ser descoberta, e vamos sentindo ela, repetidamente para ter a possibilidade de escutar e se de- parar: olhar a si mesma.


Esse lugar da repetição se desenrola inicialmente na análise como algo na dimensão do desconforto, incômodo e pode ser frequentemente tratado como um problema lógico a ser resolvido, como se: pronto, não vou fazer mais desta forma ou vou cortar isso da minha vida. Cada pessoa tem sua forma de ir tecendo sua própria linguagem, ritmo e posições.


E aí que voltamos à pergunta inicial: o que vou fazer com isso?


A repetição faz parte das várias humanidades que temos: uma música que você gosta de escutar algumas vezes seguidas, lugares que enchem nossos corações, pequenos hábitos que ressoam com você. Dentro desta dimensão, também temos os comportamentos destrutivos que, uma vez instaurados, vão levando ao próprio esvaziamento de si…


Chegamos ao vazio humano. Gosto de me relembrar que ele sempre esteve ali. Coisas muito cheias entopem, o vazio existe para que algo possa circular, movimento. Então voltamos a uma outra pergunta inicial: Onde eu estava?


Aiii!


Sentir também é uma forma de elaborar, processar. Conexão com o que já foi e ainda é. O inconsciente é atual e atemporal. Que paradoxo. Vamos percebendo que o que achávamos que pertencia a outras épocas da vida se repete em uma cena que aconteceu essa semana, onde você vai tomando consciência destes amontoados que se enchem e esvaziam.


Acho que o movimento em si é que dá vida à coisa, o vai e vem. A gente sai, podendo não voltar da mesma forma e, Opa! Algo mudou. Conseguimos escutar algo para além da repetição, e não foi ela que me deu isso? Essa escuta.



Autorreflexão, Memórias, Olhar, Repetição.

 
 
 

Comentários


©2026 - Por Carol Castro I Psicologia e Psicanálise.

bottom of page