Antes de fazer análise: eu não olhava
- Carolina Carol
- 13 de ago.
- 2 min de leitura

“Antes de fazer análise eu não olhava pra essas coisas: dores, traumas, repetições, mãe, pai, simplesmente ignorava…. aí quando comecei a fazer análise e olhar pra isso, fui mudando, e já não sou mais a mesma pessoa. Olhar para
isso, dói.
Ela se escuta, em um momento onde a fala dá lugar para o que não era nomeado. A dor já estava ali dentro e agora estamos começando a falar dela de um outro lugar, do seu.
Começo de análise sempre é uma experiência muito singular, você começa a escutar o que estava na sua cabeça e isso tem efeito, verbalizar e escutar seus pensamentos acompanhada da figura da analista. Algo acontece: uma pergunta, algo que você não viu, nem pensou, e aquilo te pega: pensa nisso depois da sessão e os dias seguem até a chegada da próxima semana, nova sessão, e você continua falando e se de- parando com esse mar de imagens e emoções sem nome e com cheiro de repetição.
Há uma nova percepção de camadas e conflitos, pois o olhar que estava fora, alienado, agora tem mais uma nova direção: seu inconsciente.
Em alguns anos convivendo diariamente com o inconsciente dos pacientes, pude perceber como o inconsciente não é todo inconsciente, sabe? Ele tem sua própria linguagem, corporeidade e se expressa até ser escutado. Se ignorado, pode chegar de variadas formas: como dor, esquecimentos, desconfortos que surgem, impulsos e você não se reconhece mais. Ele te convoca a parar, olhar e escutar.
No automático, escuto com frequência essa palavra. O que seria automático? Já escutei sendo associado a não sentir, fazer sem pensar, preguiça, cansaço… uma mistura de verbos e substantivos como que para justificar o porquê eu faço as coisas como faço. Será que essa posição automática é alienante?
E segue falando, agora escutando SUA própria língua. Fiquei pensando em como era minha vida antes da análise: um amontoado de repetições, sentimentos e meu corpo falava comigo o tempo todo, só eu que não estava querendo escutar.
Uma elaboração dessas veio no meio da sessão. Ela fala e a analista: na escuta.
Você escuta sua linguagem?





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